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Diagnóstico Social
Com a aprovação da Constituição
de 1988 e do Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990, a questão
da cidadania, em especial da cidadania das crianças e adolescentes,
alcançou um novo referencial jurídico. Foram definidas
ações em favor das crianças, relativas às
políticas sociais básicas – saúde, educação,
cultura, esporte e lazer – e às políticas assistenciais
aos que dela necessitam, além de políticas de proteção
especial, com ênfase no método sócio-educativo de
caráter emancipador. Em suma, se estabeleceu uma doutrina de proteção
integral à criança e ao adolescente que leva em conta sua
condição peculiar de pessoas em desenvolvimento.
Passada quase duas décadas, o resultado das disposições
legais do ECA e da Constituição são visíveis no campo
simbólico, no crescimento da organização social e na consolidação
de uma doutrina social em torno do Estado. Muitas vezes porém, a promulgação
da lei não a torna consistente no que diz respeito a oferta e à qualidade
dos serviços, e até hoje o referencial jurídico se mantém
mais avançado do que a prática social (pública e privada)
presente na abordagem da questão da criança e do adolescente.
O planejamento da política de atendimento de direitos da criança
e do adolescente conforme estabelecido no artigo 227 da Constituição
Federal e nos artigos 86 e 87 do ECA deve “necessária e inescapavelmente
se iniciar por uma comparação entre a realidade e a norma, detectando-se
desvios e formulando-se estratégias para que programas, projetos e serviços
sejam viabilizados numa escala de melhoria que leve em conta o tempo” (SÊDA,1993). È dentro
do seu papel planejador das ações na área da infância
que o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente solicitou
a contratação de assessoria para elaboração de um
diagnóstico da situação da criança e do adolescente
no Município de São Paulo.
O objetivo primeiro do convênio estabelecido entre o Instituto Lidas
e a Secretaria Especial de Participação e Parceria é disponibilizar
os subsídios necessário ao CMDCA-SP para a elaboração
do Plano de Proteção Integral à Criança e ao Adolescente.
Para serem melhor formuladas e implementadas, as políticas sociais necessitam
de indicadores que ajudem na interpretação das diversas realidades
sociais existentes em nossa cidade. Um indicador social é uma medida em
geral quantitativa, dotada de significado social substantivo, usado para evidenciar,
quantificar ou operacionalizar um conceito social abstrato, de interesse técnico
(para pesquisa acadêmica) ou programático (para formulação
de políticas). Sem indicadores se torna impossível conhecer um
problema e tampouco identificar de forma mais eficaz as intervenções
a serem realizadas.
O presente diagnóstico visa levantar as situações das crianças
e dos adolescentes no Município, bem como dos programas, equipamentos
e serviços a eles disponibilizados, a partir de indicadores que permitam
analisar a realidade do atendimento de seus direitos consagrados na Constituição
Federal, no ECA e em toda a legislação vigente.
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